A alimentação tem um papel importante na prevenção de doenças crônicas, incluindo o diabetes tipo 2. Entre os hábitos que merecem atenção está o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, que, quando presentes em grande quantidade na alimentação, estão associados a um maior risco de desenvolver diabetes tipo 2.
Mas por que esses alimentos podem estar relacionados ao diabetes? E será que é preciso eliminar completamente os produtos ultraprocessados da alimentação?
A resposta passa por entender o que são esses alimentos, como eles podem influenciar a qualidade da dieta e quais hábitos ajudam a reduzir o risco de diabetes tipo 2.
Os alimentos ultraprocessados são produtos formulados industrialmente que geralmente passam por várias etapas de processamento e podem conter ingredientes e aditivos utilizados para modificar sabor, textura, aparência, conservação ou outras características do produto.
Entre os exemplos estão refrigerantes, bebidas açucaradas, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, alguns produtos prontos para consumo e refeições industrializadas.
É importante destacar que nem todo alimento processado ou industrializado é ultraprocessado. O grau de processamento e a composição do produto são importantes para essa classificação.
A Organização Mundial da Saúde destaca que uma alimentação saudável deve ter como base alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, leguminosas, cereais integrais e fontes adequadas de proteínas.
Estudos observacionais vêm encontrando uma associação entre maior consumo de alimentos ultraprocessados e maior risco de diabetes tipo 2.
Uma revisão abrangente publicada no periódico The BMJ, que reuniu análises envolvendo quase 10 milhões de participantes, encontrou evidências de associação entre maior exposição a alimentos ultraprocessados e maior risco de diabetes tipo 2. Na análise de dose resposta, o aumento do consumo esteve associado a um aumento do risco da doença.
Isso não significa que comer um alimento ultraprocessado ocasionalmente fará uma pessoa desenvolver diabetes. O risco de diabetes tipo 2 é influenciado por diversos fatores, incluindo excesso de peso, histórico familiar, idade, sedentarismo e padrão alimentar.
Por isso, é mais adequado falar sobre padrão alimentar e frequência de consumo do que atribuir o desenvolvimento da doença a um único alimento.
Uma das questões é que muitos alimentos ultraprocessados apresentam altas quantidades de açúcares livres, gorduras menos saudáveis e sódio, além de terem menor participação de alimentos ricos em fibras, vitaminas e minerais na alimentação.
Quando o consumo desses produtos ocupa uma parcela grande da dieta, pode haver redução do espaço para alimentos in natura ou minimamente processados, que são importantes para uma alimentação equilibrada.
Além disso, padrões alimentares associados ao maior consumo de ultraprocessados podem favorecer o excesso de ingestão energética e o ganho de peso. O excesso de peso e a obesidade são fatores de risco importantes para o diabetes tipo 2.
Não é correto afirmar que um alimento ultraprocessado, isoladamente, causa diabetes tipo 2.
O desenvolvimento da doença é multifatorial. Genética, idade, histórico familiar, excesso de peso, nível de atividade física e alimentação são alguns dos fatores que podem influenciar o risco.
O que as pesquisas mostram é que maior consumo de alimentos ultraprocessados está associado a maior risco de diabetes tipo 2.
Essa diferença é importante porque evita transformar uma relação complexa em uma explicação simplificada.
Uma alimentação que contribui para a prevenção do diabetes tipo 2 deve priorizar variedade e equilíbrio.
Entre os alimentos que podem fazer parte da rotina estão:
• Frutas
• Verduras e legumes
• Feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas
• Cereais integrais
• Oleaginosas, quando adequadas à alimentação
• Ovos, peixes, carnes e outras fontes de proteína
• Leite e derivados, conforme as necessidades individuais
A Organização Mundial da Saúde recomenda que uma alimentação saudável seja baseada em princípios como adequação, equilíbrio, moderação e diversidade, com predominância de alimentos in natura ou minimamente processados.
Não existe uma recomendação geral de que todas as pessoas precisem eliminar completamente todos os alimentos ultraprocessados.
O mais importante é observar a frequência e a quantidade desses produtos dentro da alimentação como um todo.
Uma rotina alimentar baseada predominantemente em alimentos in natura e minimamente processados tende a oferecer melhor qualidade nutricional. Já o consumo frequente de produtos ricos em açúcar, sódio e gorduras menos saudáveis deve ser limitado.
Pequenas mudanças também podem fazer parte desse processo. Trocar bebidas açucaradas por água, aumentar o consumo de frutas e vegetais e incluir mais alimentos preparados em casa são exemplos de estratégias que podem melhorar a qualidade da alimentação.
A prevenção do diabetes tipo 2 não depende apenas da alimentação. Manter um peso adequado, praticar atividade física regularmente, não fumar e adotar uma alimentação saudável são medidas que podem ajudar a prevenir ou retardar o desenvolvimento da doença.
Para pessoas com excesso de peso, a perda de peso associada a mudanças no estilo de vida pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
Também é importante realizar acompanhamento de saúde e exames quando houver indicação, principalmente para pessoas que apresentam fatores de risco para diabetes.
Para quem já recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 2, a alimentação também faz parte do cuidado com a doença. A estratégia alimentar deve ser individualizada, considerando medicamentos, rotina, preferências alimentares, objetivos e condições de saúde.
Não é necessário seguir dietas restritivas por conta própria. O acompanhamento com profissionais de saúde pode ajudar a construir uma alimentação adequada e sustentável.
Os alimentos ultraprocessados fazem parte da alimentação de muitas pessoas, mas o consumo frequente e em grandes quantidades está associado a um maior risco de diversos problemas de saúde, incluindo o diabetes tipo 2.
Mais do que pensar em um alimento isoladamente, é importante observar o padrão alimentar como um todo. Priorizar alimentos in natura e minimamente processados, reduzir o consumo frequente de produtos ricos em açúcar, sódio e gorduras menos saudáveis e manter uma rotina ativa são atitudes que contribuem para uma alimentação mais saudável.
Se você tem fatores de risco para diabetes ou dúvidas sobre sua alimentação, procure orientação de um profissional de saúde.
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