Medicamentos como semaglutida e tirzepatida ganharam espaço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Eles atuam em vias relacionadas à saciedade, ao controle da glicose e ao metabolismo, podendo contribuir para uma perda de peso significativa quando utilizados com indicação e acompanhamento médico.
Mas começar um tratamento com uma dessas medicações não deve significar apenas aplicar a caneta e acompanhar o número na balança.
O acompanhamento médico e laboratorial pode ajudar a avaliar as condições de saúde antes do tratamento, identificar fatores de risco e acompanhar possíveis alterações ao longo do uso.
Antes de iniciar um medicamento para perda de peso, o profissional de saúde precisa conhecer o estado geral do paciente.
A investigação pode incluir exames para avaliar glicemia, hemoglobina glicada, função renal, função hepática, perfil lipídico e outros parâmetros, conforme a história clínica e os fatores de risco de cada pessoa.
Esses exames não servem apenas para “liberar” o uso da medicação. Eles ajudam a conhecer o ponto de partida e podem ser úteis para acompanhar a evolução do tratamento.
A avaliação também deve considerar peso, índice de massa corporal, circunferência da cintura, composição corporal quando disponível, medicamentos em uso e condições associadas à obesidade. Durante o tratamento ativo da obesidade, a ADA recomenda acompanhamento periódico das medidas relacionadas ao peso e à saúde metabólica.
Hemograma
Pode fazer parte da avaliação geral de saúde e ajudar a identificar alterações como anemia, dependendo do contexto clínico.
Glicemia de jejum e hemoglobina glicada
São exames importantes para avaliar o metabolismo da glicose e identificar diabetes ou alterações glicêmicas. A avaliação é especialmente relevante para pessoas com fatores de risco ou diagnóstico de diabetes.
Perfil lipídico
Colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos ajudam a avaliar o risco cardiovascular e podem ser acompanhados durante o processo de tratamento da obesidade.
Creatinina e avaliação da função renal
A função dos rins pode ser avaliada por exames como creatinina e estimativa da taxa de filtração glomerular. A necessidade e a frequência desse acompanhamento dependem das condições de cada paciente. A ADA destaca a importância de considerar a função renal na escolha e no acompanhamento de terapias metabólicas.
Exames de função hepática
Exames como TGO, TGP e outros marcadores podem ser solicitados quando existe indicação clínica, especialmente em pessoas com alterações metabólicas ou suspeita de doença hepática.
Outros exames
Dependendo da alimentação, histórico de saúde, sintomas e velocidade da perda de peso, o médico pode solicitar outros exames, como ferritina, vitamina B12, folato, vitamina D ou outros marcadores nutricionais.
Não existe uma lista única de exames que sirva para todas as pessoas que utilizam essas medicações.
O acompanhamento não termina depois que a medicação é iniciada.
A perda de peso pode vir acompanhada de redução do consumo alimentar. Por isso, é importante garantir que a pessoa continue recebendo quantidade adequada de proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes.
As recomendações da ADA para 2026 reforçam a necessidade de monitorar a ingestão nutricional adequada durante o processo de perda de peso.
Além dos exames laboratoriais, o acompanhamento pode incluir peso, composição corporal, pressão arterial, glicemia, sintomas, alimentação e resposta ao tratamento.
A dose também precisa ser individualizada. As recomendações atuais destacam que a dose ideal não necessariamente será a dose máxima aprovada e que a titulação deve considerar eficácia, segurança e tolerabilidade.
Medicamentos dessa classe podem causar efeitos gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Em algumas situações, também é necessário investigar sintomas relacionados à vesícula biliar ou suspeita de pancreatite.
Por isso, sintomas persistentes ou intensos devem ser comunicados ao profissional que acompanha o tratamento.
Um erro comum é pensar que o tratamento termina quando a balança chega ao peso desejado.
A obesidade é considerada uma condição crônica, e a manutenção do peso também faz parte do tratamento. A ADA destaca que, quando a farmacoterapia é indicada para uso crônico, a continuidade do tratamento pode ser necessária para manter os benefícios, já que a interrupção pode ser acompanhada pelo retorno do peso.
Por isso, o acompanhamento deve olhar para muito mais do que o número na balança.
É importante observar a composição corporal, alimentação, atividade física, saúde metabólica e possíveis deficiências nutricionais.
Semaglutida, tirzepatida e outros medicamentos utilizados no tratamento da obesidade podem ser ferramentas importantes quando existe indicação médica. Mas o tratamento deve ser individualizado e acompanhado por profissionais de saúde.
Os exames ajudam a entender como está a saúde antes do tratamento e a acompanhar o organismo ao longo do processo.
Se você utiliza ou está pensando em utilizar uma caneta para emagrecimento, converse com seu médico sobre quais exames são adequados para o seu caso.
Fontes: American Diabetes Association, Standards of Care in Diabetes 2026, e National Institutes of Health.
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